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Lojas ecoeficientes devem tornar-se padrão para operações da rede varejista

Supermercados Sé em São Paulo, projetado por Jon Maitrejean e George Sallouti. Hoje o prédio é ocupado pelo hipermercado Extra, do grupo Pão de Açúcar

Supermercados Sé em São Paulo, projetado por Jon Maitrejean e George Sallouti. Hoje o prédio é ocupado pelo hipermercado Extra, do grupo Pão de Açúcar

À primeira vista, trata-se de mais uma unidade da rede Wal-Mart inaugurada no Brasil. Nada que salte aos olhos indica que a loja na zona oeste de São Paulo, aberta no final de abril, seja muito diferente de outras do grupo. O Wal-Mart a “vende”, porém, como sua segunda loja ecoeficiente implantada no Brasil e a primeira com essa concepção a entrar em operação na capital paulista.

As lojas eco – expressão cunhada pelo grupo – tornaram-se modelo para as operações da rede no país e foram concebidas para diminuir em 40% o uso de energia elétrica nas edificações e reduzir em 25% o consumo de água. Na realidade, o cardápio de sustentabilidade incorporado à unidade situada na avenida Francisco Morato, no bairro do Morumbi, é bem mais extenso – ultrapassa 60 itens, mas nenhum deles se encontra exposto nas gôndolas. Boa parte foi cultivada no projeto de autoria do escritório Core Arquitetos Associados, de São Paulo.
O arquiteto Eduardo Laterza, um dos sócios do Core, que há anos elabora trabalhos para o grupo, explica que desde que desembarcou no país o Wal-Mart utiliza como premissa na operação de suas lojas a eficiência energética. De acordo com Laterza, a corporação trouxe para esse tipo de obra uma metodologia de projeto mais racional, em que a arquitetura não pode ser voluntariosa – a definição é do arquiteto – a ponto de onerar os custos de implantação e de desenvolvimento das atividades.

Foi com a mesma orientação de não elevar custos que o grupo introduziu o conceito de sustentabilidade nos projetos. Por isso, afirma Laterza, todos os itens considerados sustentáveis têm sido incorporados aos trabalhos sem encarecer as obras. “É uma maneira diferente de ver os projetos, com um cunho muito mais técnico”, ele avalia.

Loja ecoeficiente do Wal-Mart em São Paulo, projeto do escritório Core. A parede verde na fachada ajuda na dissipação do calor antes que ele entre na loja

Loja ecoeficiente do Wal-Mart em São Paulo, projeto do escritório Core. A parede verde na fachada ajuda na dissipação do calor antes que ele entre na loja

É praticamente certo que os arquitetos Jon Maitrejean e George Sallouti nunca tivessem ouvido falar em questões ligadas à sustentabilidade quando projetaram a unidade dos Supermercados Sé localizada na rodovia Raposo Tavares, também em São Paulo, publicado em dezembro de 1984, na edição 70 de PROJETO DESIGN. À época, os autores revelavam apenas a preocupação de “obter um supermercado cômodo, que suporte bem as fases de pico logo após os dias de recebimento de salário”.

Atualmente, tornou-se imperativo vincular qualquer empreendimento à sustentabilidade e ao uso racional da energia. No caso do Wal-Mart Morumbi, além do reaproveitamento da água de chuva e do uso da iluminação natural, há a utilização de placas voltaicas para a geração de energia solar, paredes verdes para sombreamento e até bacias e mictórios que funcionam a vácuo, gastando quantidade mínima de água. O planeta agradece. E o Wal-Mart fatura.

Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN

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Além das Ações Sustentáveis.

Muito está sendo discutido, inclusive aqui no AlluxBlog, sobre práticas sustentáveis. Planeta SustentávelComo uma tendência quase que obrigatória de consciência ética de milhares de empresas em diferentes ramos de atuação, a sustentabilidade passa a ser adotada mais como uma etiqueta do que uma responsabilidade coletiva, e levanta uma questão sobre a sua interferência na oferta de serviços prestados pelos empresários e a verdadeira moeda de troca entre a sociedade e os ganhos da empresa.

Se nos aprofundarmos nessa questão, é capaz que descubramos uma série de falhas por trás de ações ditas sustentáveis, e que estas podem servir apenas como uma esculpida pontinha de um iceberg, que por baixo d’água é negro.

Este excelente vídeo, apresentado pela guru ambiental Annie Leonard, explica a brutal linha do tempo entre os processos de extração de recursos até o descarte de produtos e como o atual sistema de economia é danoso para o nosso planeta.

Hoje, o espaço para as empresas que não repensam suas ações de acordo com as necessidades da sociedade e do meio ambiente está diminuindo.

É importante que valorizemos toda e qualquer ação que enriqueça a sustentabilidade de forma limpa e justa. Por mais que existam interesses ligados às estratégias ambientais, é importante sabermos que a responsabilidade vai ganhando relevância, juntamente à divulgação.

Em outra sintonia, já existem muitas empresas que aderem a uma real causa ambiental, além das ONGs. Sejam grandes ou pequenas, cada uma segue sua contribuição com o planeta e a sociedade e procuram manter uma relação bastante transparente entre seus projetos e a população interessada, agregando ao seu poder de divulgação o mesmo potencial em agente transformador.

Procure utilizar produtos e serviços de empresas que tem positiva influência no ciclo sustentável. Lembre-se que na hora de construir e reformar, estamos lidando diretamente com a compra de matéria-prima. Conheça também a procedência de seus artigos de decoração: para isso, basta perguntar ao fabricante se a madeira é legalizada, se o alumínio e plástico são recicláveis e se os diversos materiais não agridem a fauna e flora. Faça a sua parte e dê valor a quem já está fazendo.

E lembre-se, cuidar do nosso planeta pode ser muito parecido com a construção e manutenção do nosso lar. Basta planejar e arquitetar muito bem nossos objetivos, para que possamos viver num lugar melhor, por muito mais tempo.

Se você gostou do vídeo acima e se interessa pelo assunto, acesse storyofstuff.com.

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